Senado brasileiro ameaça proibir o Funk

O funk sempre foi um ritmo discriminado no Brasil, mas dessa vez o preconceito ultrapassou quaisquer limites: O Senado analisa proposta popular que visa a proibição do funk.

projeto popular ameaça proibir o funk no senado (foto do mr catra)
Tudo começou com o empresário Marcelo Alonso, um um webdesigner de São Paulo que odeia tanto os funkeiros que criou um site chamado “Funk é lixo”. Ele apresentou uma proposta no site do Senado (veja aqui) sugerindo a proibição do Funk carioca. Digo carioca porque é como os leigos ainda chamam o funk, mas se aplica ao funk ostentação, funk melody, talvez até o funk gospel fosse proibido). É isso mesmo, esse projeto não foi uma loucura de algum deputado petista maluco, como seria de se esperar. Foram setores da própria população brasileira que se uniram contra o ritmo brasileiro que mais cresce.
Para quem não sabe, o governo brasileiro permite a qualquer pessoa através do portal e-cidadania criar uma sugestão popular que, caso receba mais de 20 mil votos, vira um projeto de lei que será analisado pelos senadores. Caso o Senado considere o projeto plausível, ele passa pelos vários trâmites internos como qualquer projeto no Congresso e pode se tornar lei.
Foi essa a artimanha utilizada pelo empresário nas horas vagas (digo nas horas vagas porque a ocupação dele pelo visto é encher o saco dos outros) para tentar barrar o funk. Mas pelo jeito a ideia não deu certo. Pelo bem ou pelo mal, a verdade é que normalmente os políticos brasileiros não estão nem aí para as propostas enviadas pela população.

Segundo a Revista Istoé:

O autor da ideia, o microempresário Alonso, rebate o pesquisador. Para ele, os chamados bailes “pancadões” são somente um recrutamento marginal organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos. “O funk faz apologia ao crime, fala em matar a polícia. Sou pai de família e se eu não me preocupar com o futuro, amanhã só teremos marginais”, diz Alonso.

Quase sem fôlego quando conclui as frases, Alonso emenda: “Os pancadões ou fluxos são arruaças, um quebra-quebra que danifica o patrimônio público, sem contar a falta de respeito para com a mulher, classificando-a como: cachorra, cadela, novinha, safada, puta, biscate.”

O microempresário acredita que as pessoas que curtem a batida da música abraçam uma apologia do mal. “Isso é crime. Essa turma usa a bunda como cérebro para convencer principalmente as crianças, adolescentes ou a mente em formação”, dispara. “Uso o meu intelecto para conscientizar os pais, pessoas de bem, formadores de opinião, policiais, pessoas ligadas à Justiça para mudar este cenário”.

Essa proposta em questão foi parar na mão do ex jogador de futebol e atual senador Romário. Ele foi escolhido relator da proposta por sorteio. A proposta não tem data pra ser debatida ou ser colocada para votação. A sugestão legislativa foi aceita pelo Senado no dia 26 de maio, e como o Congresso brasileiro é mais lento que uma tartaruga baiana com reumatismo é provável que nunca chegue a ser votada.
Mas caso seja a balança está pendendo para o lado dos funkeiros. O baixinho já afirmou “um grande equívoco relacionar a ocorrência de eventuais atos criminosos durante os bailes funk com a manifestação artística e cultural que advém da música”. Traduzindo: A música de funk não transforma ninguém em vilão ou bandido do mesmo jeito que a música gospel não transforma ninguém em santo.
Ele também disse que o funk leva diversão e entretenimento para os jovens de baixa renda. Quanto a relação entre o crime e o funk, ele foi taxativo: O uso de drogas, álcool, vandalismo e a sexualidade exacerbada são características de todos os eventos musicais e não musicais. E para finalizar usou um exemplo matador: Tudo o que se fala de ruim do funk acontece de forma muito pior no carnaval, nem por isso se sugere criminalizar o evento.

O funk e a sociedade reagem

Conforme o mundo do funk foi tomando conhecimento dessa tentativa de censura as pessoas foram se mobilizando. Campanhas nas redes sociais foram criadas, setores da sociedade civil foram informados e até mesmo a grande mídia chegou a fazer críticas ao projeto.
O MC Taz, juntamente com outros MCs, lançou no Facebook a campanha “Eu sou do funk, não sou do crime” que circulou nas páginas de dezenas de MCs e empresários, e de incontáveis simpatizantes.
Advogados e entidades de direitos humanos também se mobilizaram contra o projeto, acusando-o de ser típico de ditaduras. Também atacaram o autor do projeto, a quem acusaram de nunca ter sequer pisado em um baile funk.

Infelizmente a GR6 não entrou nessa campanha. Ou se fizeram, foi de forma isolada, mas a maior produtora do mundo do funk não se esforçou muito para defender o nosso ritmo, infelizmente. Eu incluvie enviei email pra eles convidando-os a se mobilizar, mas não me responderam. Mas tenho certeza que caso esse projeto ganhe asas e ameace acabar com o funk eles vão agir em defesa dos funks.

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